(... may(be) not..) "Seremos nós neste mundo apenas canetas com tinta com que alguém escreve a valer o que nós aqui traçamos?" Álvaro de Campos
sexta-feira, maio 25, 2007
Náusea
Sinto (como Fernando Pessoa) uma enorme náusea de tudo. Do ser, do existir, do estar.
O branco.
O vácuo interminável que nos suga para dentro de coisa nenhuma.
Sinto vontade de vomitar o Mundo de mim para fora.
E depois reconstruir tudo, a partir do Grande Nada, o estado primordial das coisas,
(mesmo pré-primordial), o branco que fere, aquele sítio anterior a todos os sítios, mesmo antes de haver sítios, antes de haver chão e céu e terra e água e cor e vento e gravidade e todas as leis da física, e matemáticas, e morfossintáticas, e toda e qualquer noção de forma, de pensar, de lógica e raciocínio, antes de haver filosofia, e psicologia, e psiquiatria, e todas as grandes descobertas do Homem que destruíram a Humanidade. Um estado de entropia máxima (mas como, entropia, se não há física?). Um estado que nem é estado porque não há estar, não há tempo, e finalmente e principalmente, não há ninguém.
.....
Mas porque haveria eu de reconstruir o Mundo, afinal? Para testar as capacidades de auto-destruição do que crio? Mas, já sei, são elevadíssimas. E qual a utilidade desta experiência afinal? Que me interessa a mim criar algo que será infeliz, torturado e escravo de si até que se acabe?
Vou dar o projecto por terminado. Afinal ficamos assim.
(texto já antiguinho)
sexta-feira, maio 18, 2007
a troça esconde a coragem de abalar os alicerces
sexta-feira, maio 11, 2007
metas

"À procura, procura do vento. Porque a minha vontade tem o tamanho de uma lei da terra.
Porque a minha força determina a passagem do tempo. Eu quero. Eu sou capaz de lançar um grito para dentro de mim, que arranca árvores pelas raízes, que explode veias em todos os corpos, que trespassa o mundo. Eu sou capaz de correr através desse grito, à sua velocidade, contra tudo o que se lança para deter-me, contra tudo o que se levanta no meu caminho, contra mim próprio.
Eu quero. Eu sou capaz de expulsar o sol da minha pele, de vencê-lo mais uma vez e sempre.
Porque a minha vontade me regenera, faz-me nascer, renascer.
Porque a minha força é imortal"
José Luís Peixoto, Cemitério de Pianos
quinta-feira, abril 26, 2007

O aeroporto é um local de passagem entre o nada e coisa nenhuma.
é o tempo quebrado entre o nada e o infinito
quarta-feira, abril 25, 2007
A liberdade de expressão nunca será totalmente alcançada!
Fui pesquisar na Wikipedia:
Liberdade de expressão é o direito de se manifestar opiniões livremente.
A liberdade de expressão é um conceito considerado freqüentemente integral nas democracias liberais modernas para eliminar a censura.O direito à liberdade da expressão para a maioria não é considerado ilimitado; os governos podem proibir determinados tipos prejudiciais de expressões. Sob a lei internacional, as limitações no discurso livre estão restritas à um rigoroso teste de três critérios: ser baseados na lei, perseguir um objetivo reconhecido como legítimo, e ser necessário (isto é, ter um propósito) para a realização desse objetivo.
( proteger a liberdade do outro impõe sempre uma limitação à liberdade de expressão, ou seja nunca seremos totalmente livres, nem nós que os protegemos- aos outros- nem eles que são protegidos, ou seja a liberdade não pode ser absoluta enquanto vivermos em sociedade, e só em sociedade é que poderemos ser verdadeiros seres humanos, transmitir as nossas ideias e comunicar!!Não há ser humano sem comunicação e sem interacção com outros.)
Entre os objectivos considerados legítimos está a proteção dos direitos e da reputação de outros (protecção contra a difamação, calúnia ou injúria), e a protecção da ordem, da segurança nacional e do público, da saúde e da moral. As opiniões variam extensamente entre povos, nações e culturas diferentes a respeito de quando a limitação do discurso livre se encontra com estes critérios.
( ou seja, o conceito de liberdade varia de pessoa para pessoa, por isso nunca será universal e absoluto enquanto -mais uma vez- quisermos respeitar as opiniões de cada um e as suas crenças)E agora, quanto à censura?
No sentido moderno, a censura consiste em qualquer tentativa de suprimir informação, opiniões e até formas de expressão.
O propósito da censura está na manutenção do status quo, evitando alterações de pensamento num determinado grupo e a consequente vontade de mudança. Desta forma, a censura é muito comum entre alguns grupos, como certos grupos de interesse e pressão (lobbies),religiões, multinacionais e governos, como forma de manter o poder. A censura procura também evitar que certos conflitos e discussões se estabeleçam.
(os lobbies nunca vão ser eliminados, e vai haver sempre interesses pararelos. As religiões precisam de crentes para sobreviver, e só manipulando estes consegue mantê-los do seu lado; a manipulação é necessária, é preciso perverter opiniões, no sentido de conseguir obter alguma ordem; e muitas vezes as pessoas querem mesmo ser manipuladas, no caso da religião por exemplo, quando se encontram com dúvidas em relação ao sentido das suas existências precisam de acreditar em algo maior, precisam de um guia, e nessa altura tornam-se presas fáceis nas mãos da Religião; precisamos na nossa sociedade, de ter um papel activo, de nos sentirmos necessários, de seguir determinadas regras para nos sentirmos confortáveis, e é nessas pequenas "fraquezas" humanas que os governos e os políticos pegam, "orientando-nos" da maneira que convenha - naturalmente, a que lhes convenha mais a eles, o instinto da sobrevivência não está totalmente adormecido)
Pode também a censura ser entendida como a supressão de certos pontos de vista e opiniões divergentes, através da propaganda, manipulação dos média ou contra-informação. Estes métodos tendem a influenciar e manipular a opinião pública de forma a evitar que outras ideias, que não as predominantes ou dominantes tenham receptividade.
Quantas vezes somos manipulados por dia? É muitas vezes difícil de se ter noção. Sou manipulada quando faço coisas sem saber bem porquê, e o "melhor" de tudo é que também já ninguém nos pergunta, porque fazes isto ou aquilo, e nós deixamo-nos andar acordados por fora e adormecidos por dentro, guiados por uma mão invisível que nos conduz até algum lugar, ou talvez não conduza.. ou talvez não haja nenhuma mão, talvez sejamos nós os nossos próprios escravos e façamos o nosso próprio inferno.Se Jean-Paul Sartre dizia que "l'enfer c'est les autres", eu digo que o nosso próprio inferno somos nós. Consumimos o nosso próprio ar.
Não somos livres.
sábado, abril 14, 2007
beauty & masks (II)
E cada vez mais actuais e prementes as suas palavras se tornam.
A publicidade é agora mais forte e mais agressiva do que nunca.
Somos constantemente bombardeados por modelos impossíveis de beleza, de modos de vida luxuosos, confrontados com um mundo dourado que todos sabemos não ser verdadeiro e que esconde um imenso vazio e uma intensa "podridão" de alma.
Não há espaço em televisão para pessoas comuns, para pessoas feias, a TV mostra cada vez menos a nossa realidade, havendo apenas um espaço exclusivo para ela nos telejornais.
As novelas são mundos à parte, repetindo a mesma fórmula exaustivamente (a da gata borralheira, a da opressão dos ricos sobre os pobres, os romances e traições venezuelanos, filhos que afinal são primos, inimigos que afinal são irmãos). Quer dizer, estes eram os temas da literatura por exemplo de Camilo Castelo Branco, como em "Amor de Perdição". E eu não acredito que a mentalidade da sociedade portuguesa não tenha evoluido desde aí! Não estará já no tempo de mudar um bocado a fórmula, de adaptar um bocado mais as novelas ao nosso tempo, de deixar de alimentar as pessoas com os mesmos dramas poeirentos e entaramelentos que anestesiam os cérebros?
Os reality shows (A bela e o mestre, big brother) mostram-nos o lado mais triste da nossa sociedade. Peço desculpa mas conheço muito boa gente que os condena da mesma forma que eu, nem todos os portugueses são assim tão primitivos como os que nos fazem engolir, e já nem todos nós aguentamos ver aquela degradação moral.
E, saindo um pouco do exemplo da TV, e voltando ao tema inicial, até mesmo nos nossos gestos mais simples se reflecte a forma como fomos e somos dominados pela opinião pública, e pelo olhar da sociedade. Quem consegue sair de casa sem pôr perfume, ou quem consegue sair de casa sem se pintar um bocado, sem arranjar o cabelo, tentar esconder um pouco quem realmente somos? São pequenas máscaras sem as quais conseguimos viver, que estão já tão enraizadas em nós que já nem nos apercebemos que as colocamos inconscientemente.
E assim andamos perdidos nesta ilusão, a vaguear entre o consciente e inconsciente, alimentados por este sonho dourado que sabemos inatingível e portanto apetecível.
(lembrei-me disto quando vi, numa revista -parece-me que era a Sábado-, a Allegra Versace, herdeira do trono Versace, que parece que sofre de anorexia. Não tem grande ligação, eu sei. :) para ver uma imagem dela, cliquem aqui)
sexta-feira, abril 13, 2007

Depois, onde é visível o jardim
Através do portão de grade dada,
Põe quantas flores são as mais risonhas,
Para que te conheçam só assim.
Onde ninguém o vir não ponhas nada
Fernando Pessoa
- why do we hide from ourselves? -
na foto:Aishywara Rai, considerada a mais bela Miss Mundo de todos os tempos
