quarta-feira, janeiro 02, 2008

ano novo




Surge um novo ano embrulhado em nuvens negras e papel de incertezas.


E o que é um ano? Do ponto de vista pessoal, apenas uma barreira difusa num processo contínuo de crescimento, de maturação.

Penso que um ano nem sempre representa um degrau, pode também

ser uma plataforma estabilizadora, e não deixa de ser igualmente importante.

O que espero deste ano: ir descobrindo o que quero fazer.



sábado, dezembro 15, 2007

Parece impossível. Anda uma pessoa sempre a desejar umas feriazinhas, um tempinho para se fazer o que realmente se gosta, e quando finalmente esse tão desejado intervalo é alcançado, não se sabe o que fazer ao tempo.
Parece que desaprendemos a dormir, a não pensar em nada, a não calendarizar todas as nossas actividades, a ter um tempo para nós, só para ficar. De repente, ficamos desamparados e livres do stress.
É terrível.
Felizmente que,como bons seres humanos que somos todos, (suponho eu, na minha mais profunda das ignorâncias), encontramos sempre algo de que ter medo, algo pelo qual ficamos ansiosos, algo que fazer, algo por que lutar.
O pior é quando não temos nada por que lutar. O meu caso, por exemplo.
A mais profunda crise de identidade.Que sou eu? Terrível, dizia eu.
O espírito criativo é algo que cansa. Seguir ordens é tão mais fácil! Seguir ordens de um regente tirano, sofrer por uma coisa injusta, submeter-nos s um destino maior do que nós, ser escorraçados, torturados e injustiçados por uma causa que não nos pertence. Mas, apesar de tudo, uma causa. Pode não ser nossa, pode não nos pertencer, mas é o caminho que está traçado para nós, é o sofrimento que nos vem endereçado com letras gigantes vermelhas no sobrescrito, "what we are meant to be". O nosso destino, diria eu, se acreditasse no destino. Mas digo na mesma, até porque não sei quanto tempo irá durar esta minha descrença em tal sujeito.
É terrível. O livre arbítrio é chato. Cansa. E mói.
Eu sempre adorei o conceito da insatisfação humana, a fome de Mundo, a fome de além-Mundo, o poder do sonho.
Em abstracto, amo-o. Em concreto, odeio-o.
Preciso de um objectivo. Quero acordar um dia e dizer: eu quero fazer isto! É isto, sem tirar nem pôr, tudo o que eu sempre quis, embora não soubesse que o queria! Quero acordar deste sonambulismo acordado, deste semi-ser, deste esperar por mim, esperar por algo que não vem, quero poder sofrer, rasgar-me, levar-me ao limite por algo que sei estar certo, uma causa justa e inabalável. Quero ter certeza do que faço. Quero poder chorar lágrimas de suor e sangue pelo meu esforço desumano na busca de algo que me pertence, que quero mais do que tudo, algo que mereço, ou talvez não, mas quero e sei querer. Quero perder o medo de mim para poder agir, deixar o diletantismo adormecido nos meus momentos de poesia, reservado para as noites mais longas, para os momentos de fraqueza, para conseguir enfrentar o mundo de frente e com plena consciência de mim e da minha missão. Quero que essa luz nunca se apague, quero segurá-la como facho ardente nas noites de ébano, acima de mim, acima da minha vontade, e acima de tudo não quero deixar de querer.
Acordem-me quando eu começar.

(texto escrito em Junho 2007)


domingo, dezembro 02, 2007

devaneios em dó Maior



Tantas vezes nos escondemos dos outros, que acabamos perdidos dentro de nós.

domingo, novembro 25, 2007




Fiz na semana passada uma visita aos HUC, ao serviço de Medicina I.

Chegada ao primeiro quarto, onde se acumulavam 4 senhoras, cada uma definhando em sua cama, totalmente dependentes de outrém e a maioria inconsciente, vestidas com a bata do hospital que somente lhes tapava a frente do corpo, a primeira coisa que me veio À cabeça foi a descrição da condição humana no livro "Ensaio sobre a cegueira" de José Saramago.

O estado a que podemos descer se não nos respeitarmos, a nossa pura essência, o nosso estado primitivo, em frente aos meus olhos. Uma submissão total, um alheamento do mundo exterior, uma entrega à degradação.

O meu estômago ainda vai dar muitas voltas.

terça-feira, novembro 20, 2007



pensamentos do dia enquanto se arranja vontade para estudar a anatomia do coração:


porque é que há obesidade mórbida, mas quando se trata de magreza, não há magreza mórbida e sim anorexia?


não parece contraditório que para manter um coração saudável se deva reduzir as tensões emocionais ao máximo, dando-lhe o mínimo de uso possível?


(hoje quebrei um pouco a mnha aversão por corações para pôr aqui uma imagem.estou a melhorar ;) (?))

terça-feira, novembro 13, 2007

os meus deuses foram destronados

o que cri foi destruído por mãos maiores do que a minha vontade

Não me lembro quem eu era antes de chegar aqui
Quem destruiu o que eu fui?
Quem me mata as horas sem saber?

quinta-feira, novembro 08, 2007



I can see the world through you

Esta música no ouvido..

(ouvir aqui)

(foto: Coimbra, jardim na avenida Navarro, perto da Portagem)

sexta-feira, novembro 02, 2007

Coimbra, 3 de Janeiro de 1932.
SANTO E SENHA
Deixem passar quem vai na sua estrada.
Deixem passar
Quem vai cheio de noite e de luar.
Deixem passar e não lhe digam nada.

Deixem, que vai apenas
Beber água de Sonho a qualquer fonte;
Ou colher açucenas
A um jardim que ele lá sabe, ali defronte.

Vem da terra de todos, onde mora
E onde volta depois de amanhecer.
Deixem-no pois passar, agora

Que vai cheio de noite e solidão.
Que vai ser
Uma estrela no chão.

Miguel Torga



Resumo da semana: sair à noite, rapar um grizo de madrugada, dormir de dia, tomar o pequeno-almoço geralmente por volta das 14h, ir às vezes à aula das 11h, dormir 3 a 5 horas por noite, matar um embrião de pinto para lhe retirar os olhos e estudar a retina (ponto alto!), jantar um pão e um iogurte e repetir a rotina!
A nossa vida são dois dias! :)