domingo, janeiro 21, 2007

a luz de lisboa ao entardecer



foto: tirada pela Inês em Lisboa, Belém, Dez 2006

sexta-feira, janeiro 05, 2007

Hoje vim para casa depois da explicação de Química, da qual gosto muito porque não fazemos mais que dois exercícios e conversar sobre a vidinha,
mas quando aprendemos é para aprender, embora eu hoje estivesse um bocado desligada daquilo na primeira parte,quando o
professor estava a explicar qualquer coisa como calcular o pH das misturas de ácidos e bases ou ácidos e ácidos e bases e bases
qualquer coisa por aí, seja o que for a realidade não diferirá muito destas hipóteses
já que pelo menos se sabe que estão dentro dos temas "mistura" e "ácido" e "base" e "pH", e tendo em conta que estes já são quatro
conceitos que eu ligo àquele discurso, já está suficientemente especificado o tema na minha perspectiva.
O mal é que eu estou ao lado do professor, e embora me seja fácil dizer que sim e fingir que percebo quando ele olha para mim, já é mais
difícil responder acertadamente ao que ele me pergunta, assim como perceber o timing das perguntas. Por vezes, fico a olhar para ele (melhor, eu olho para
ALÉM dele, olho para dentro, como se costuma dizer, expressão que eu acho por sinal muito engraçada, "ver para dentro", parece-me coisa impossível, tanta
filosofia dentro de uma expressão popular) sem saber que tenho de responder a algo. Apercebo-me milésimos de segundos depois (o tempo de reacção nunca é
muito, depende um bocado do estado de divagação, e de que a quantos km estou daquele lugar, ou por outras palavras da profundidade a que vejo para dentro,
mas nunca excede umas poucas de segundos)
Como eu dizia, vim da explicação, seria por volta das 17.45, e cheguei à paragem da Sra-A-Branca às 18.01 (gosto muito de preciosismos quando tenho tempo
para pensar neles).Verifiquei o horário do autocarro, às 18.08, muito bem, afinal nem cheguei demasiado cedo nem em cima da hora, diria mesmo que neste caso
o timing foi perfeito,ao contrário daquele que me permite adivinhar quando vou ter de responder a algo, esse deve ter a pilha gasta, pergunto-me onde se irão
arranjar estes timings que permitem adivinhar quando vou ter de responder a algo). Despedi-me de quem comigo seguia, não tinha mencionado esta presença, mas
foi propositado, não pense o leitor que a minha memória vai assim tão mal, vou a caminho acelerado da maioridade, mas parece-me que ainda não atingi a
senilidade, que é a fase seguinte). Ora muito bem me enganou o senhor doutor autocarro, esse malandro pôs-me à espera de sua senhoria durante uma boa meia
horinha (quanto a este espaço de tempo não há preciosismos, não olho para o relógio quando sei que se o fizer só vou prolongar a espera, é a minha maneira
de me defender do passar do tempo, até agora tem resultado, mas aceito mais sugestões, nunca se deve fiar só numa hipótese, vejamos o caso do timing que me
permite adivinhar quando vou ter de responder a algo. Nunca fiando, nunca fiando...) Ora lá estive eu, rapariga de muitos e variados afazeres, obrigada a
permanecer num mesmo lugar durante este exagero de tempo, durante o qual me ia perguntando "E se eu ligasse para os TUB para dar conta deste atraso?"Já
imagino a conversa:
- Olhe, desculpe (porque é que pedimos desculpa de qualquer maneira?), estou á espera do autocarro para sítio Y, na paragem X, está agendada a sua chegada
para as 18.08 e no entanto são 18.20 e estou eu aqui a contar as luzinhas dos carros que passam, uma rapariga de muitos e variados afazeres!
- Oh minha amiga (que confiança esta, só porque lhe liguei e pedi estupidamente desculpa), nós não temos culpa, os autocarros andam no meio do trânsito como
todos os carros que não são auto, estando por isso sujeitos aos mesmos atrasos que estes, ainda por cima é hora de ponta.
- Pois mas com isso eu também não tenho nada a ver, se os autocarros têm horários certamente que é para os cumprir, é um compromisso a que se sujeitam, ou
estes horários são uma aproximação, assim só para as pessoas se orientarem mais ou menos (ai o nosso país do mais ou menos), se ali diz 18horas então volto
daqui a hora e meia, vou lanchar e tal, ainda passo pelo minimercado e vejo como vai a senhora Marcelina, coitada, com aquela idade e aquela constipação,
certamente esta soma não dá resultado positivo)?Eu não posso andar assim, tenho coisas inadiáveis marcadas sempre para tarde, e tenho neste momento de estar
em casa daqui a dez minutos.
- Olhe lá, se está com tanta pressa não se arme em estúpida e apanhe mas é um táxi!
Conversa interessante esta, mais interessante o desfecho, bonita a conclusão da funcionária da Câmara, de que os autocarros são só para aqueles que têm
tempo para gastar, resumindo idosos e vagabundos, ou qualquer coisa do género.
Aqui ficava bem era estar a gravar a conversa, e posteriormente enviá-la para canais sensacionalistas, entre os quais a nossa querida TVI, o Robin dos
Bosques dos canais de TV, que faria manchete com esta bombástica notícia, de que os serviços públicos estão completamente desligados do público.
Melhor seria dar estas nossas intenções a conhecer à simpática senhora do outro lado da linha, só para ouvir o seu silêncio embatucado enquanto esboçamos
aquele nosso sorrisinho de vingança, que, quero lá saber o que dizem, sabe tão bem.
Não sei sobre o que ia escrever, muito provavelmente sobre nada, tantas coisas que cabem no nada, deve ser dos temas de conversa o mais abrangente, porque
afinal o nada é tão relativo, e há tantos nadas que guardo para mim, de vez em quando também faz bem soltar um ou outro, para esvaziar um pouco a alma.

sábado, dezembro 30, 2006


Acorda. Aspira o ar gélido da manhã.
Abre os olhos para encontrar uma névoa azulada que lhe preenche os sentidos.
Que horas são? É cedo. De que interessa saber as horas quando a esperança se esvai a cada segundo que passa? Apenas têm interesse para aqueles que têm compromissos, que fazem parte da sociedade activa. Quem vive À margem passa bem sem elas.
O banco negro de jardim onde adormecera na noite anterior parece também ele repeli-lo dali.
É tempo de partir (sem pressas, a via flui indiferente aos nossos estados de espírito).
Somos apenas uma luz fugaz numa imensidão temporal. E quanto mais agitada a nossa existência maior a perda, maior a dor, maior a queda.
(Lembra-se do que descobriu sobre as abelhas, no dia anterior, na biblioteca pública da cidade, ao folhear uma gigante enciclopédia ilustrada: quando uma destas se sente em perigo, espeta o ferrão no animal mais próximo. Depois tenta fugir, mas por causa das pequenas farpas que o ferrão possui, a parte posterior do abdómen, onde este se localiza, fica presa na pele do animal e a abelha perde uma parte do intestino, morrendo logo em seguida) Espantosas as lições da mãe Natureza.

Arrefeceu. Repara que permanece imóvel, de pé em frente ao banco negro.
É tempo de partir, já foi dito.
Aconchega o casacão cinzento contra si, e segue para o rio.
Foge de si?

quinta-feira, dezembro 14, 2006



"dá-se tudo e nada fica."

(porque hoje descobri que nem sempre as pessoas em quem mais confiamos
confiam em nós)

domingo, novembro 19, 2006



"If I had the chance
I'd ask the world to dance
And I'll be dancing with myself"

=) Bom dia para todos!

sábado, novembro 11, 2006


"Assomados com o andar tibuteante das vitimas da realidade absoluta desfalecemos em convulsões de electrochoque no turbilhão da engrenagem estonteante que nos trasnporta em sucessivas oscilaçoes sismicas para o apaziguamento da indiferença e o amargo isolamento da solidão
N
ada é o que era
, nada foi o que sonhamos, apenas visões esfumadas ao contacto da memória, apenas imprecisas impressões de um tempo gasto pela usura
Tivemos o Mundo. Fomos o Mundo.
Salvé cadáveres brancos da inocência; salvé corpos belos do amor ; salvé feiticeiros da embriaguez permanente; salvé magos da existência não fragmentária; salvé padrastas do desejo, "junkies" do caos, prisioneiros da liberdade; salvé irreprimível lúdico; salvé criadores de vida amantes da infância viciados do presente; salvé orfãos perdidos; salvé; salvé; salvé"

Ou no dizer de Fernando Pessoa:
"Nasce um deus. Outros morrem. A verdade nem veio nem se foi: o Erro mudou.
Temos agora uma outra eternidade, e era sempre melhor o que passou"

(letra anterior dos Mão Morta)

Dedicado à Susana que me passou a música :)

terça-feira, novembro 07, 2006


Os teus olhos cantam pra mim
Naquela manhã violeta
O ar é doce, de amora ( o amor que demora).
Estou limpa essa manhã.

Comigo
contigo
em nós
(corda fia, fina, seca, dura e dói)

As mãos no chão. Inspiro.

Que sentir é hoje?

Foto retirada de http://www.photoblog.be/photoblog.php?nickname=Jiglypuffa&action=view&id=1844129
Não me lembro o que disseste
O som das palavras já não dói
Esqueci o seu sabor,
de chofre na minha cara.
Lembro o céu, azul, cinzento, as nuvens escuras

o éter contigo e tu com o éter

... E eu a amar-te.

quarta-feira, novembro 01, 2006




















PORTUGAL


Somos um povo triste. E cansado.

Alegres na miséria e míseros na alegria.
Invejosos. Azedos. Cinzentos.
Desesperadamente católicos.
Endurecidos pela fúria do mar.
Alucinados. Pobres. E sós.


Foto: www.olhares.com

terça-feira, outubro 31, 2006



So I looked for those flowers you gave me.

Those flowers, well they're dead.. in my hands



(Nothing is no longer in its place)