domingo, outubro 21, 2007




Foto: Coimbra, Av. da Cidade Aeminium


sexta-feira, outubro 19, 2007

não estou destinada a ser constante

Gostava de ser mais eu e menos tudo.

De me saber prender.

De dizer as palavras que são eu
eu...eu...eu...


"Eu não sou eu nem sou o outro,
Sou qualquer coisa de intermédio:
Pilar da ponte de tédio
Que vai de mim para o Outro."
Mário de Sá-Carneiro

quinta-feira, outubro 04, 2007

são coisas



Depois de uma aula completamente desinteressante de hora e meia com o melhor cirurgião cardiotorácico do país, a estudantada da AAB (associação dos amigos de braga) meteu-se no primeiro comboio com direcção à terra, e entre planos alucinantes para o fim-de-semana ("Ei,vou comer o frango da minha mãe; Ena pá, vou ver o "Família Superstar", a "Operação Triunfo" e os "Morangos com Açúcar" até ficar tolo"; etc), passaram-se as duas horas e meia de viagem.
É que parece que não, mas o raio da universidade até nos rouba tempo...

Afinal quando me apercebo estão os "Morangos" a acabar.pfff! Ainda não é desta que vou perceber a história..também é de mim ou aquilo anda progressivamente a perder conteúdo?

sexta-feira, setembro 28, 2007

aparição



- Não éramos
Apenas fugíamos juntos -

perdi-me no turbilhão de mim
destruí-te enquanto passava
destruímos as convenções
criámos novas ligações
perdemo-nos em nós vezes sem conta
na fúria desesperada de lágrimas trituradas
dos músculos presos da solidão
rendi-me no esforço total de me reconhecer
num qualquer canto de ti
os beijos sôfregos que trocamos
eram murros de desespero num qualquer muro de lucidez
não chegámos a ser promessa
porque nunca fomos um


ao som de: Toranja, Fim(dias que passam)
(que saudades de ouvir isto!)

sexta-feira, setembro 07, 2007


Raymond Dufayel (l'homme de verre):
Voilà, ma petite Amélie, vous n'avez pas des os en verre. Vous pouvez vous cogner à la vraie vie. Si vous laissez passer cette chance, alors avec le temps, c'est votre coeur qui va devenir aussi sec et cassant que mon squelette.


Tradução livre:
Raymond Dufayel(o Homem de Vidro):
Tu não tens ossos de vidro, pequena Amélie. Podes aguentar os golpes da vida.
E se deixas passar esta oportunidade, o teu coração poderá vir a tornar-se tão seco e frágil como o meu esqueleto.

domingo, agosto 26, 2007

sob o hálito acre da minha existência de nadas



Hoje, perdida na névoa de mim,tudo me é estranho.
Todo o sentido foi perdido ao longo das minhas passadas.
O meu reflexo, perdi-o nos espelhos da minha infância.
O que há de mim, o que sobrou, é um meio caminho sem direcção.
Sinto tudo isto (ou a ausência do que sinto) e todo o vazio do meu ser se condensa
em gotas suspensas do meu rosto inexpressivo, como resultado do frio não exterior, mas interior.
No exterior, o vazio de mim desdobra-se em mil sorrisos, numa fúria imensa
de rasgar a carne da vida, para voltar a sentir o sangue a jorrar-me dos olhos.
Je suis mon propre enfer.
Não me basto.

quanto mais cresço menos me conheço



És feliz porque és assim,
Todo o nada que és é teu.
Eu vejo-me e estou sem mim,
Conheço-me e não sou eu.

Fernando Pessoa, "Gato que brincas na rua"



segunda-feira, agosto 20, 2007

Karluv Möst, Praga em Agosto
Momentos para recordar:
passear pela Ponte de Carlos ao fim de uma tarde de Verão,
sem o seu rebuliço habitual, ao som da "Ave Maria" de Schubert,
tocada e cantada por artistas de rua


Temos (sempre tivemos) uma ânsia de comunicar, de falar, de preencher o vazio.
Numa atitude um pouco egocêntrica, pois apenas o fazemos para nos aliviar um pouco da carga
do que sentimos ou do que pensamos, para não nos sentirmos inúteis e vãos, e conseguirmo-nos rever senão em nós, noutra pessoa. A ideia é confusa.
Podemos por vezes estar tão perdidos no turbilhão de sentimentos e pensamentos que nos assaltam que não nos conseguimos distinguir no meio de toda a névoa difusa. Assim, sentimos necessidade de falar, e tentar explicar ao outro o nosso estado interior, rezando para que ele consiga sentir o que nós não conseguimos sentir totalmente (pois as nossas palavras nunca corresponderão ao que se passa no nosso imo), e que finalmente possamos rever uma parte (esperamos nós que verdadeira) de nós no outro, aquela que não conseguimos discernir no meio do nosso turbilhão.
Trata-se assim de uma espécie de consulta médica, mas em que se substitui a dor física pela moral ou espiritual, o que lhe quiserem chamar. Este último tipo de consulta torna-se mais difícil de realizar porque a dor espiritual, ao contrário da física, nunca é localizada, mas encontra-se dissiminada por todo o nosso ser, corpo e alma.
Somos assim todos um pouco psicólogos ao serviço da nação, tentando dar aos outros a paz que nunca conseguimos para nós, mas tudo isto no fundo se resume a uma atitude egocêntrica, a de sentir que somos indispensáveis, e mais uma vez não somos vãos.

(a minha cabeça hoje está assim, confusa)

quinta-feira, agosto 16, 2007






Amores proibidos


(Praga, numa galeria de arte algures pela Staroměstská radnice)