sexta-feira, agosto 05, 2022

O que se lê por aqui

 "- Parece que vocês resolveram os vossos problemas económicos com bastante êxito.

- E não foi difícil resolvê-los. Para começar, nunca permitimos que viessem ao mundo mais crianças do que nos era possível alimentar, vestir, abrigar e educar segundo um sistema de completa humanidade.  Como não estamos sobrepovoados, temos o bastante. Mas, ainda assim, arranjamos maneira de resistir à tentação a que o Ocidente sucumbiu, à tentação do consumo em excesso. Não arranjamos tromboses por comermos seis vezes mais gordura saturada do que necessitamos. Não nos hipnotizamos ao ponto de supormos que dois aparelhos de televisão nos farão duas vezes mais felizes do que um só. E finalmente, não gastamos um quarto da produção nacional na preparação de uma terceira guerra mundial (...)Ignorância, militarismo e aumento de natalidade. Três calamidades, sendo a última a maior de todas. (...) À medida que a população aumenta, a prosperidade diminui. (...) E à medida que a prosperidade decresce, o descontentamento, a revolta (...), a desumanidade política, a parcialidade do governo, o nacionalismo e o espírito belicoso começam a trepar."


A ilha, Aldous Huxley


sábado, julho 31, 2021

Meh

 Sempre me indaguei muito acerca de determinadas observações sobre as causas mais ou menos agradáveis de falecer.

Quando ouço alguém dizer "a morte por asfixia é um tipo de morte particularmente lenta e dolorosa", ou "quando se morre a dormir não se sofre"... Quer dizer....

Esse estudo de mercado foi um bocado estranho...... não?

sábado, junho 05, 2021

Dramas de uma pessoa demasiado conscienciosa

Uma das coisas que mais odeio é quando chego do supermercado, super orgulhosa de ter enganado o bicho consumista e a pensar "agora já só lá volto daqui a três meses", e chego a casa e afinal a manteiga está a acabar. 

"F***, agora tenho de voltar lá amanhã"

sexta-feira, fevereiro 19, 2021

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Hoje o meu dia começou de forma macabra.

Às 6 h da manhã, a certificar um óbito de um doente COVID

E a ser abalroada pelo "Hino da Alegria" na linha telefónica do hospital 

Enquanto aguardava em linha para comunicar o falecimento aos familiares chorosos.

domingo, dezembro 13, 2020

Há frases que marcam um dia, uma semana, um mês, um ano

 "90 anos? 90 anos é para morrer" - proferido por um meu superior.

Sem juízos de valor.

Só para fazer pensar.


segunda-feira, novembro 23, 2020

Efeitos do trabalho em enfermarias COVID

 São 21 h da noite e estou pronta para ir dormir, sem conseguir abrir bem os olhos...

sábado, outubro 17, 2020

 Alguém mais está farto do menu "Futebol + COVID" ?

terça-feira, agosto 18, 2020

Estar em tele-trabalho a tentar fazer "consultas" por telefone...

 ... É descobrir que o meu vizinho do lado quando acorda gosta de ouvir música "trance" em altos berros

HELP!

sábado, maio 16, 2020

A 2 meses do início da pandemia COVID

Reparo que o meu telemóvel tem vestígios de sabão nas ranhuras, de tanto o lavar todos os dias quando chego a casa depois do trabalho no hospital.

Volto pela primeira vez a casa desde que o meu rapaz ficou doente. É tão bom ter as minhas coisas de volta. E é tão bom poder abraçá-lo finalmente.

Hoje, num sábado ensolarado, de céu tremendamente azul e árvores a rebentar de verde, passo pelo campo desportivo do parque florestal ao pé de minha casa (que esteve fechado durante dois meses), e vejo uma família de um pai com os miúdos a gritar de felicidade enquanto jogam futebol.

É tão simples.
E é tão bonito.

quinta-feira, abril 23, 2020

Só para um dia me lembrar desta época doida

Em média, lavo as mãos 22 vezes por dia.

E sim, em quarentena uma pessoa tem tempo para anotar estas coisas.