Todos nós somos possíveis cuidadores.
Todos nós conhecemos cuidadores.
Alguém que assumiu permanentemente a responsabilidade por outra vida adulta,
que deixou de ser capaz de cuidar de si por uma qualquer doença ou forma de invalidez.
E é difícil cuidar.
O cuidador não sai de casa sem se sentir culpado por viver a sua vida.
O cuidador tem o seu horário regulado pelas necessidades do outro.
O cuidador não impõe, pois o outro é um adulto com vontade própria.
O cuidador não dorme para proteger o sono do outro.
O cuidador revolta-se contra si e contra a inaptidão do outro, e com isso vem a culpa de não ser tão paciente quanto devia.
O cuidador é um trabalho solitário e pesado, com falta de apoio social,
discriminado pela sociedade,
que se diz solidária e vira as costas, apressada.
Um cuidador sem apoios é uma patologia social e económica.
Daí o crescente número de idosos abandonados em hospitais, lares, sítios onde se "envelhece melhor". Muitas vezes é a única solução, pois ninguém quer assumir sozinho a responsabilidade pela população idosa.
Numa sociedade exponencialmente envelhecida, não devíamos ter já encontrado maneira de resolver esta situação, em vez de continuar a "varrer para debaixo do tapete"?