sexta-feira, março 14, 2008

sexta-feira, fevereiro 29, 2008






"In a bullet proof vest
With the windows all closed
I'll be doing my best
I'll see you soon
In a telescope lens
And when all you want is friends
I'll see you soon"
foto:Coimbra, avenida emídio navarro

sexta-feira, fevereiro 22, 2008

bebendo certezas de um copo vazio

Não acredito em definitivos. O único fim é a morte.

Talvez tenha a ver com a morte dos meus pais. Talvez.

Tudo é tão relativo que a vida acaba por ser uma questão de sorte.

Estamos cá porque nos deixam.

Esta não é a nossa casa, e somos constantemente lembrados disso.

No fundo, somos inquilinos mal aceites, mas habituámo-nos ao movimento inconstante do limbo. Enganámo-nos e fingimos sorrisos, fugimos de nós e refugiámo-nos na nossa loucura. Inventamos verdades, inventamos convicções (e fingimos sorrisos). Inventamos constância na inconstância e sorrimos à dor.

Tudo é um nada. E uma nada tão grande que nos suga a alma e nos faz acreditar que há algo mais, que tudo é tanto mais.

A racionalidade é a causa da minha morte.

(texto escrito há tanto tempo)

segunda-feira, fevereiro 11, 2008


Parabéns a miiiiim! Passei a anatomia e o meu ar tornou-se mais leve, o meu sol tornou-se mais claro, a minha visão mais nítida!!


e agora, só para dar um cheirinho do tormento que passei para atingir tal facto, aqui vai um texto que escrevi neste tempo de clausura e opressão:


nothing is ever really enough
torço-me e contorço-me envolta num mar de teorias

de cordas que me apertam os músculos

de fios que me rasgam a pele

desaprendi a gritar e

sou dissecada perante uma multidão voraz de olhos ávidos de sangue

(olhos enormes negros ferozes)

o rosto abre-se num esgar de dor os olhos fixos vazios a expressão aberta num grito mudo ecoando e ressoando nas grutas obscuras das cavernas da alma

quinta-feira, janeiro 24, 2008








Quando era mais nova, costumava sentar-me no telhado de minha casa, e ficar ali, a ler ou ouvir música, perto das árvores, perto dos pássaros, perto do céu.
Agora, que cresci, sou obrigada a ver o mundo de dentro, a desviar os olhos e a mente do céu, pôr os pés no chão, mecanizar o que me dizem. Ensinam-me a ser uma boneca envolta em dogmas e teorias inúteis, e a não perder tempo a sonhar em ser mais.
De que me serve saber porque o céu é azul se não o posso cheirar?

quarta-feira, janeiro 16, 2008

parar



deixar a vida fluir
por vezes
e enfrentar o nosso reflexo

(foto tirada na ponte Pedro e Inês, Coimbra, Outubro 2007)

segunda-feira, janeiro 07, 2008



Sinto que estou muito perto do estado eremita..
(exames)
(foto: Serra da Estrela, 2006?)

quarta-feira, janeiro 02, 2008

ano novo




Surge um novo ano embrulhado em nuvens negras e papel de incertezas.


E o que é um ano? Do ponto de vista pessoal, apenas uma barreira difusa num processo contínuo de crescimento, de maturação.

Penso que um ano nem sempre representa um degrau, pode também

ser uma plataforma estabilizadora, e não deixa de ser igualmente importante.

O que espero deste ano: ir descobrindo o que quero fazer.



sábado, dezembro 15, 2007

Parece impossível. Anda uma pessoa sempre a desejar umas feriazinhas, um tempinho para se fazer o que realmente se gosta, e quando finalmente esse tão desejado intervalo é alcançado, não se sabe o que fazer ao tempo.
Parece que desaprendemos a dormir, a não pensar em nada, a não calendarizar todas as nossas actividades, a ter um tempo para nós, só para ficar. De repente, ficamos desamparados e livres do stress.
É terrível.
Felizmente que,como bons seres humanos que somos todos, (suponho eu, na minha mais profunda das ignorâncias), encontramos sempre algo de que ter medo, algo pelo qual ficamos ansiosos, algo que fazer, algo por que lutar.
O pior é quando não temos nada por que lutar. O meu caso, por exemplo.
A mais profunda crise de identidade.Que sou eu? Terrível, dizia eu.
O espírito criativo é algo que cansa. Seguir ordens é tão mais fácil! Seguir ordens de um regente tirano, sofrer por uma coisa injusta, submeter-nos s um destino maior do que nós, ser escorraçados, torturados e injustiçados por uma causa que não nos pertence. Mas, apesar de tudo, uma causa. Pode não ser nossa, pode não nos pertencer, mas é o caminho que está traçado para nós, é o sofrimento que nos vem endereçado com letras gigantes vermelhas no sobrescrito, "what we are meant to be". O nosso destino, diria eu, se acreditasse no destino. Mas digo na mesma, até porque não sei quanto tempo irá durar esta minha descrença em tal sujeito.
É terrível. O livre arbítrio é chato. Cansa. E mói.
Eu sempre adorei o conceito da insatisfação humana, a fome de Mundo, a fome de além-Mundo, o poder do sonho.
Em abstracto, amo-o. Em concreto, odeio-o.
Preciso de um objectivo. Quero acordar um dia e dizer: eu quero fazer isto! É isto, sem tirar nem pôr, tudo o que eu sempre quis, embora não soubesse que o queria! Quero acordar deste sonambulismo acordado, deste semi-ser, deste esperar por mim, esperar por algo que não vem, quero poder sofrer, rasgar-me, levar-me ao limite por algo que sei estar certo, uma causa justa e inabalável. Quero ter certeza do que faço. Quero poder chorar lágrimas de suor e sangue pelo meu esforço desumano na busca de algo que me pertence, que quero mais do que tudo, algo que mereço, ou talvez não, mas quero e sei querer. Quero perder o medo de mim para poder agir, deixar o diletantismo adormecido nos meus momentos de poesia, reservado para as noites mais longas, para os momentos de fraqueza, para conseguir enfrentar o mundo de frente e com plena consciência de mim e da minha missão. Quero que essa luz nunca se apague, quero segurá-la como facho ardente nas noites de ébano, acima de mim, acima da minha vontade, e acima de tudo não quero deixar de querer.
Acordem-me quando eu começar.

(texto escrito em Junho 2007)


domingo, dezembro 02, 2007

devaneios em dó Maior



Tantas vezes nos escondemos dos outros, que acabamos perdidos dentro de nós.