quarta-feira, novembro 02, 2005


"O mistério das coisas, onde está ele?
Onde está ele que não aparece
Pelo menos a mostrar-nos que é mistério?
Que sabe o rio disso e que sabe a árvore?
E eu, que não sou mais do que eles, que sei disso?
Sempre que olho para as coisas e penso no que os homens pensam delas,
Rio como um regato que soa fresco numa pedra,
Porque o único sentido oculto das coisas,
É elas não terem sentido oculto nenhum,
É mais estranho do que todas as estranhezas
E do que os sonhos de todos os poetas
E os pensamentos de todos os filósofos,
Que as coisas sejam realmente o que parecem ser
E não haja nada que compreender.



Sim, eis que os meus sentidos aprenderam sozinhos:
As coisas não têm significação: têm existência.
As coisas são o único sentido oculto das coisas."

Alberto Caeiro

foto:www.olhares.com

1 comentário:

sooz disse...

Porque o único sentido oculto das coisas, é elas não terem sentido oculto nenhum.
E eu só digo que eramos todos mais felizes se fossemos como ele :D
a eterna inocencia é nao pensar..@