
para os meninos ficarem grandes e fortes, e come muita ervinha"
As minhas nunca foram assim.
Lembro-me de fazer composições sobre a harmonia, com muitos arco-íris,e meninos de mãos
dadas, sobre paz e amor. Eu devia ser muito hippie quando era mais pequena.
E fazia um desenho muito giro e colorido a acompanhar o texto, e depois ficava a olhar
para o balão à espera dos outros meninos. E tirava Excelente e a minha professora
da primária dizia "Depressa e bem há pouco quem, mas há a Sofia quem".
Agora que penso nisso, a construção frásica da minha professora não era grande coisa.
Talvez não fosse tão boa professora.
De estudo do meio, lembro-me do livro (eram todos "Bambi"'s), e de uma imagem do Salazar
que nunca mais me esqueci. Fazia-me lembrar o meu avô quando punha aqueles óculos de massa
grossos como se usava então. É a única parte que me lembro bem também, essa em que
falam da implantação da república (5 outubro de 1910), e do marechal gomes da costa.
Foi também na primária que conheci o hino português completo. E ainda sei algumas quadras de cor
(para além da letra óbvia que se canta).
O 5º ano também foi engraçado. Continuava a ter educação musical, cuja professora eu nunca gostei
(e o sentimento era completamente mútuo). Tinha na mesma coro e piano, com um professor meio sinistro
que me fazia lembrar o Edgar Alan Poe, sempre de preto, e que sempre associei aos Silence Four.
Vá-se lá saber.
A minha professora de História era muito gira. Tinha traços de alemã, cabelo muito loirinho quase branco,
liso, olhos claros e para além disso era muito redondinha. Fazia-me lembrar uma cebola, que virava tomate
quando se ria, porque ficava muito corada e ria-se muito. Costumava contar piadas que
não tinham assim tanta piada, e nós esforçavamo-nos por nos rir com ela, enquanto eu me ria mais com a imagem
daquela cebolinha a rebolar de tanto riso pela sala.
Outros tempos.
(na foto:imagem retirada do filme "Le fabuleux déstin d'Amélie Poulin")